padre  Palavra do Padre


 
Amados irmãos e irmãs, começaremos mais uma catequese sobre a fé em Deus e na sua Igreja, depois de termos refletido sobre os sete sacramentos da Igreja, iremos refletir sobre a nossa “Profissão de Fé” no que cremos e vivemos.

 Quando professamos nossa fé, começamos dizendo: “Eu creio” ou “Nós cremos”. Por isso, antes de expor a fé da Igreja tal como é confessada no Credo, celebrada na Liturgia, vivida na prática dos Mandamentos e na oração, perguntamo-nos o que significa “crer”. A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa, trazendo ao mesmo tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida.
  O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem para si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar:
        O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se o homem existe, é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu criador.
      E sua história, e até os dias de hoje, os homens têm expressado de múltiplas maneiras sua busca de Deus por meio de suas crenças e de seus comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações etc.). Apesar das ambiguidades que podem comportar, estas formas de expressão são tão universais que o homem pode ser chamado de um ser religioso:
     De um só (homem), Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, fixando os tempos anteriormente determinados e os limites de seu habitat. Tudo isto para que procurassem a divindade e, mesmo se às apalpadelas se esforçassem por encontrá-la, embora Ele não esteja longe de cada um de nós. Pois nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,23-28).
      Mas esta “união íntima e vital com Deus” pode ser esquecida, ignorada e até rejeitada explicitamente pelo homem. Tais atitudes podem ter origens muito diversas: a revolta contra o mal no mundo, a ignorância ou a indiferença religiosa, as preocupações com as coisas do mundo e com as riquezas, o mau exemplo dos crentes, as correntes de pensamento hostis à religião. Finalmente, é essa atitude do homem pecador que, por medo, se esconde diante de Deus e foge diante de seu chamado.
      No entanto, “alegre-se o coração dos que buscam o Senhor” (Sl 105,3). Se o homem pode esquecer ou rejeitar a Deus, este, de sua parte, não cessa de chamar todo homem a procurá-lo, para que viva e encontre a felicidade.                Contudo, esta busca exige do homem todo o esforço de sua inteligência, e retidão de sua vontade, “um coração reto”, e também o testemunho dos outros, que o ensinam a procurar a Deus.
      Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que o procura descobre certas “vias” para aceder ao seu conhecimento de Deus. Chamamo-las também de “provas da existência de Deus”, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de “argumentos convergentes e convincentes” que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estas “vias” para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.
      O homem com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso, percebem sinais de sua alma espiritual. Como “semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria”, sua alma não pode ter origem senão em Deus.
     Portanto, o mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos nem seu princípio primeiro nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim, por estas diversas “vias”, o homem pode aceder ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, “e que todos chamam Deus”.
     As faculdades do homem o tornam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Para que o homem possa dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que ela não se opõe à razão humana.
                                                                                                                              Pe. Elinei Eustáquio Gomes.
                                                                Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Nazaré. Antônio Dias – M.G