Guiné Bissau: projetos missionários fortalecem a missão da Igreja do Brasil em um dos países mais pobres do mundo

16 de outubro de 2020

Localizada na costa ocidental da África, a Guiné-Bissau é um dos países mais pobres e frágeis do mundo. É pequeno: possui 36.125 Km² com cerca de 1,6 milhão de habitantes. É neste território com cerca de 15% de cristãos, que a Igreja do Brasil, por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) mantém dois projetos missionários.

Foto: Reprodução

A Igreja da Guiné-Bissau tem duas dioceses: Bissau (27 paróquias e Missões) e Bafatá (14 paróquias e missões) e três bispos. Na diocese de Bissau, a Missão Católica São Paulo VI é de responsabilidade do Regional Sul 2 da CNBB, que abrange as dioceses do Estado do Paraná.

De acordo com o Regional Sul 2, a Missão São Paulo VI criada em 2012 realiza na cidade de Quebo trabalhos nas áreas de evangelização, saúde e educação. Segundo a coordenação, a Igreja do Paraná oferece apoio financeiro e envio de missionários com atuação nas três áreas, conforme as necessidades da Igreja local. Atualmente, uma missionária enfermeira, trabalha junto a equipe do hospital da região.

Fotos: Missionários da Missão São Paulo VI

Já na área de educação, foi inaugurada pela missão no último dia 5 de outubro, o Jardim Infantil Irmã Clara Giacopuzzi, com 90 crianças, divididas em 3 turmas. Os professores são guineenses residentes em Quebo. O jardim infantil é a primeira fase da escola, que visa atender até o ensino técnico.

Diocese de Bafatá

Já a diocese de Bafatá, também Guiné-Bissau, conta com a leiga missionária, Adriana Nishiyama, natural de Maringá (PR), desde de julho de 2006. Lá, Adriana trabalha diretamente com o bispo brasileiro da diocese, dom Pedro Carlos Zilli, na parte administrativa da casa e recebendo os missionários. Ela também atua no acompanhamento dos prisioneiros na questão de saúde e Pastoral da Criança.

Adriana Nishiyama. Foto: arquivo pessoal

“A missão teve seus desafios iniciais: a saudade da família, aprender uma nova língua, questão cultural…Mas muitas também foram às alegrias durante este tempo: ver antigos alunos agora profissionais, encontrar crianças que são frutos da Casa das Mães, ex-prisioneiros que agora levam uma vida nova, doentes recuperados. Quando os encontro é sempre uma alegria saber que de alguma forma fiz parte da vida deles”, relata Adriana.

Projeto de Solidariedade

Dom Pedro Zilli. Foto: reprodução/Facebook

Ainda na diocese, outro projeto realizado pela Igreja no Brasil é destaque. Desde 2004, a região conta com o “Projeto de solidariedade entre as Igrejas do Brasil e da Guiné Bissau”, para a formação de futuros sacerdotes. Além de atender aos mais necessitados. Desde julho de 2019, o projeto conta com o apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) que vai oferecer cursos de mestrado e doutorado.

O bispo de Bafatá, dom Pedro Carlos Zilli, diz que o projeto é sucesso graças ao empenho da Igreja do Brasil no envio dos professores. Dom Pedro destaca ainda que a colaboração dos professores brasileiros contribuiu para que, no dia 26 de setembro de 2014, a Congregação para a Educação Católica concedesse ao Seminário a afiliação à Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Urbaniana e fosse erigido em Seminário Maior Interdiocesano sob o título “Dom Settimio Arturo Ferrazzetta”, na diocese de Bissau.

“O professor, estando na Guiné-Bissau, consegue estabelecer vários contatos com pessoas e comunidades, oferecendo-lhes formações; neste intercâmbio, todos crescem: os professores, as comunidades da Guiné-Bissau e as comunidades, dioceses, paróquias,… destes professores, as Igrejas do Brasil e da Guiné crescem; e todo o sucesso da colaboração pode ser resumido no que segue: nestes anos, desde 2004, contando o padre Gervásio, 18 professores – 16 sacerdotes, 01 bispo, 01 leiga – vieram dar aulas no Seminário. Dos seminaristas, alunos destes 18 professores, 29 foram ordenados sacerdotes”, lembra o bispo.

Padre Videlson Teles de Meneses. Foto: Paróquia Paróquia Sagrada Família

Padre Videlson Teles de Meneses, da Arquidiocese de Aracaju é um dos professores que atuou no projeto. Ele lecionou no Seminário a disciplina de Sagrada Escritura. Ele conta que a missão é preparar intelectualmente os alunos, a fim de que sejam capazes de refletir teologicamente com critérios.

“Gostei muito do país e de sua gente. Além de dar aulas no Seminário, pude dar cursos em algumas Comunidades. Conheci muitos missionários e missionárias, que partilharam sua experiência, os desafios e as esperanças. Fui contagiado pela alegria dos guineenses, que lutam para sobreviver”, ressalta.

O sacerdote missionário conta ainda que que “Fiquei impressionado ao saber que a grande maioria da população se alimenta apenas uma vez ao dia. Muito me encantou o desejo de aprender, a curiosidade intelectual da maioria dos estudantes. A proximidade dos Bispos é outro ponto a destacar. A convivência fraterna com os padres do Seminário foi muito importante para que eu me sentisse em casa. Já estive lá 3 vezes e, se houver oportunidade, quero voltar”, relata padre Videlson.

Dificuldades na missão

Foto: Reprodução

O bispo missionário, Dom Pedro Zilli relata um pouco das dificuldades do trabalho missionário na região. Segundo ele, além da questão financeira, das dificuldades das viagens, o pouco tempo de permanência dos professores tem sido um dos grandes desafios.

“Penso que a maior dificuldade para a realização do Projeto reside no fato de os professores virem por quase um mês e meio (janeiro e início de fevereiro) devendo oferecer um curso intensivo, num ambiente e mentalidade de cursos semestrais. De fato, de vez em quando, formadores, professores e alunos colocam a questão. Gostariam que os cursos dos brasileiros fossem mais demorados, não intensivos. Dito isto, no entanto, os resultados têm sido muito bons”, aponta o bispo.

No entanto, dom Pedro destaca que a Igreja tem crescido na compreensão da importância de que todos os seus filhos são “batizados em enviados”. Ele ressalta que um sacerdote, bem formado e bem motivado, é uma grande benção para a inteira comunidade eclesial e para todos os habitantes de um país, com suas religiões, culturas, etc.

Foto de capa: COMIRE
Fonte: CNBB

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